Pelos editores
No último dia 30 de maio, os alunos da turma de 2026 do PPGDR/UEPB realizaram uma visita ao Lajedo do Marinho, em Boqueirão-PB, no Cariri Paraibano. A aula de campo, parte da disciplina Turismo e Meio Ambiente, conduzida pelo prof. Dr. Rafael Albuquerque Xavier. A visita teve por objetivo apresentar uma vivência real de turismo de natureza e experiência desenvolvido pela própria comunidade, através de suas crocheteiras e guias turísticos. E, nesse particular, conhecer o projeto “Lajedo Marinho: turismo sustentável na caatinga”. O grupo foi recebido pelo Sr. Nivaldo e pelo Ms. Edriano Serafim de Araújo, egresso do próprio Programa.

Imagem 1: Chegada da turma e recepção pelo Sr. Nivaldo e Ms. Edriano no Lajedo
Fonte: Fotografia cedida pelos alunos
O projeto envolve cerca de 25 famílias residentes que se dividem em tarefas relacionadas à programação oferecida no local. Por meio de sua cultura, comidas típicas, trilhas, camping, rapel e contemplação de paisagens naturais únicas, eles promovem uma vivência inesquecível aos visitantes e fortalecem sua própria identidade territorial. Além do incremento na renda, os mestrandos puderam verificar in loco a importância do turismo de base comunitária para o desenvolvimento do senso de pertencimento e para a preservação ambiental.

Imagem 2: Crocheteiras locais recebem os alunos e compartilham vivências
Fonte: Fotografia cedida pelos alunos
Durante a visita, os alunos escutaram que o projeto “tirou leite de pedra” — expressão popular típica do Nordeste, que traduz o forte protagonismo dos residentes frente aos desafios locais e ao surgimento do Projeto. O turismo ali desenvolvido poderia estar centrado apenas nas características geológicas do local, que compõe uma bela paisagem, em pleno Cariri semiárido, mas foi além ao focar na história do lugar, na trajetória de vida de suas crocheteiras, na busca por capacitação, na incursão no mundo da moda, divulgação dos seus produtos locais e contemplação do pôr do sol. A comunidade avança e se consolida na atividade sem perder o foco no coletivo, na sustentabilidade e na premissa de não massificar o turismo, preservando seus princípios originais.

Imagem 3: Paisagem do Lajedo
Fonte: Fotografia cedida pelos alunos
A vivência reforça o papel indispensável da academia em conectar a teoria das salas de aula com as dinâmicas do desenvolvimento regional. Ao aproximar os pós-graduandos de iniciativas como a do Lajedo do Marinho, a Universidade não apenas valida cientificamente o potencial da economia criativa no semiárido, mas também cumpre seu compromisso social. Por outro lado, a visita também mostra que a transformação não se dá apenas através de grandes projetos e investimentos, mas a partir da dinâmica das comunidades e do incentivo do poder público. Essa imersão transforma os pesquisadores em agentes sensíveis à realidade prática, capazes de propor investigações e políticas públicas que valorizem o protagonismo popular, as comunidades tradicionais, a sustentabilidade e o meio ambiente.

Imagem 4: Visita dos alunos ao Lajedo do Marinho
Fonte: Fotografia cedida pelos alunos